Quando Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, disse que cada povo tem os políticos que merece, não foi a primeira pessoa a tornar pública a sua visão sobre os cidadãos e os políticos. Embora tenha feito a opção pelo caminho pantanoso da generalização, o núcleo do pensamento do ex-jogador encontra ressonância nos meios e costumes de grande parcela da nossa população.
Foi cultivado, durante séculos, no inconsciente coletivo, o método de que os fins justificam os meios e, com isso, a sociedade brasileira passou a ser tolerante com os desmandos e corrupção dos agentes políticos. Em decorrência, estabeleceu-se de modo tácito, a instituição da impunidade como valor agregado à pátria amada, idolatrada.
A denúncia de corrupção no governo do ex-presidente Luís Inácio da Silva, que está sendo julgada pela Corte Suprema do País, revela a ponta de um iceberg de uma prática corrente em muitos governos, mas pela habilidade adquirida no exercício da ilicitude, muitos gestores públicos não foram pegos pela malha da Justiça.
Longe de endossar qualquer prática fora das amparadas pela lei e pela dignidade, o “Mensalão” revela o que todos nós sabemos: a corrupção grassa nos corredores e gabinetes do poder. É uma análise equivocada pensar que o povo está distante desse julgamento. Aqueles que sustentam os políticos sabem de longa data que a conduta de seus representantes não prima pela retidão em suas ações. A apatia da população frente aos assaltos frequentes ao Erário é em decorrência das limitações impostas desde data imemorável por grupos que se revezam no poder com uma única intenção: manterem os privilégios e escravizarem o povo. E como alivio esporádico das tensões oferece pão e circo.
O Supremo Tribunal de Justiça está cumprindo o seu dever. Os ministros que julgam o ilícito até agora estão fazendo jus à toga que os reveste. Só está faltando nós cumprimos o dever que nos cabe como cidadãos: exigir honestidade, lisura no trato da coisa pública. Porquanto, antes temos que nos perguntar: por que aceito a corrupção no meu País, será se eu também não faço concessões indevidas na minha vida particular? Eis a questão.
Pensemos nisso.
Um forte abraço,
Até a próxima!
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