As manifestações de euforia dirigidas ao ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal, relator do Processo Penal 470, por apenas cumprir seu dever profissional, demonstram a carência generalizada da sociedade de uma reta conduta moral nos usos e costumes dos cidadãos.
Declarações sobre a conduta do magistrado no desempenho de suas funções feitas nas ruas e nas redes sociais como: “esse é o cara”, “ele dá orgulho de ser brasileiro”, “Joaquim para presidente”, constituem-se de prova inconteste do conceito que temos de nós mesmos e do entendimento de honestidade, como requisito terceirizado, mas não um valor universal de cumprimento de todos.
Devemos ter reconhecimento, não apenas ao agente público que cumpre o seu dever, deveríamos louvar o trabalhador honesto brasileiro que sai de casa às quatro da manhã e só retorna a casa à meia-noite. Devemos louvar a honestidade de um gari que encontra na rua uma substancial quantia de dinheiro e devolve para o dono.
Não obstante, essa situação de louvor ao ministro é a radiografia fiel do nosso próprio distanciamento da conduta ético-moral no nosso dia a dia. Somos adeptos em nossa casa, na via pública e nas relações sociais, do “jeitinho” e da lei do “mais forte” para acomodar as coisas ao nosso favor.
São poucos, porém, os que enfrentam as questões que exigem uma posição clara. Em vez disso, preferimos escamotear, por medo de ficarmos apartados da dissimulação e da falsidade, sentimentos que ainda balizam a nossa convivência. Pois, parece que ainda não podemos viver sem hipocrisia. Não é verdade. Podemos dizer e fazer com sinceridade as coisas sem receio de melindrarmos o outro ou de sofrermos represálias. Somos humanos, sabemos. Falíveis? Temos consciência. Contudo, somos inteligentes para discernir que o nosso futuro não depende de Batman ou de qualquer herói de ficção, por uma razão muito simples: você é o herói que edifica nossa sociedade toda vez que pratica o bem.
Pensemos nisso!
Um forte abraço,
Até a próxima!
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