O filme “Proposta Indecente” (1993) não foi um campeão de bilheteria, mas oferece ao público reflexões profundas acerca das relações afetivas. E, há uma premissa significante: como um substrato de um sentimento se impõe ante as necessidades materiais e não se deixa corromper pela força do sexo.
À primeira vista, o roteiro desse filme parece comum e batido para a maioria das mentes; pois, desde tempos remotos, o sexo é moeda de troca frente às necessidades materiais. Entretanto, para outras mentes acostumadas ao questionamento como exercício do discernir, a trama traz subsídios relevantes ao conflito da convivência entre princípios e necessidades, sexo e amor.
Em breve resumo, o filme trata de um casal Diana, uma vendedora de imóveis, interpretada pela atriz Demi Moore, e David, um arquiteto vivido pelo ator Woody Harrelson, ambos desempregados, falidos e com dívida de 50 mil dólares da hipoteca da casa. Eles decidem reverter a situação em que se encontram, arriscando-se nos cassinos em Las Vegas. Mas, uma proposta tanto sedutora em termos financeiros, quanto danosa aos sentimentos, feita pelo bilionário Jonh Gage, representado majestosamente pelo ator Robert Redford, abala o casal: um milhão de dólares por uma noite de sexo com Diana. Bomba de efeito retardado explode na cama do casal como um dilema shakespeariano.
Como, muitas vezes, as necessidades materiais anestesiam os sentimentos e privam da análise das consequências de nossos atos, o casal aceita a proposta que antes achava indecente – não pensava ser indecente – apenas achava indecente. Como esse entendimento coloca a cifra na sua conta bancária, o bilionário parece provar a tese de que tudo tem um preço. Os problemas financeiros acabam, mas a crise conjugal se instala.
Atormentado por ter cedido a mulher para outro homem, e com a insegurança de que este tivesse um desempenho sexual melhor que o seu, pressiona Diana. Esta, por não suportar o assédio, declara: “Ele é um garanhão, transamos a noite inteira. Era isso que queria ouvir?” Tal revelação fez implodir a autoestima de David.
Vamos ao que se esconde nas entrelinhas da afirmativa de Diana: David queria saber se ela havia gostado de transar com Jonh Gage. Por várias vezes respondeu que foi apenas sexo, o marido não conseguiu absorver a mensagem subliminar enviada pela bela esposa que diz assim: “apesar de ter-me entregado com o seu consentimento, independente do desempenho dele, eu te amo, estou aqui com você”. Essa lacuna – independente do desempenho dele – é dolorosa e poucos homens conseguem metabolizar essa informação, por quê?
Quando um homem sabe que a mulher que ele ama se envolveu com outro homem, ele que saber a extensão desse envolvimento e pergunta: “Você transou com ele?” Para a mulher, essa dúvida tem outra conotação, ela deseja saber: “Você gosta dela?” São duas versões diferentes, duas faces, porém, da mesma moeda. Assim, a mulher vê e sente a relação afetiva além do físico, muito além do sexo; por sua vez, o homem preso aos grilhões milenares do sentimento de dominação e posse tem ainda uma visão circunscrita do amor e da vida.
Em consequência, eles se separam, e ela passa a viver com o bilionário entre festas, jantares, sexo e leilões. Como a vida é cíclica e numa de suas voltas, foi num ambiente de compras que na trama podemos aferir o quilate do amor. Jonh e Diana participavam de um desses eventos. Durante lances e arremates de peças, chega David e arremata um hipopótamo por um milhão de dólares, e todos os presentes ficam surpreendidos.
Ele se aproxima da mesa onde o casal está acomodado cumprimenta-o, e Jonh, percebendo que Diana e David precisavam conversar, deixa o local, passando a observá-los de longe, protegido de uma chuva inesperada. O monólogo do ex-marido, ouvido como um abalo sísmico por Diana, tem seu epicentro nos sentimentos do bilionário que constata que eles se amavam e toma uma decisão que prova a força de um sentimento diante do poder, da riqueza e do sexo.
Durante o retorno à mansão em que vivem, Jonh conta a Diana, com a ajuda do motorista, estórias de como conquistava as mulheres. Uma senha para que ela o deixe e siga o seu caminho. Talvez alguns imaginem que Jonh chegou tarde à vida aquela atraente mulher, para o desgosto de quem gosta de tudo perfeito mediante a estreita ótica humana. A resposta a essa opinião ou desejo inconsciente está na pergunta feita pelo motorista a Jonh “Por que o senhor fez isso?”– e responde o bilionário – “Ela nunca iria olhar para mim, como olha para ele.”
O desejo de Jonh por Diana não conseguiu dopar a consciência do bilionário nem tampouco cedeu à tentação de utilizar a “lei do mais forte”. Ter uma pessoa ao lado pela via da aquisição financeira e não pelo cativante afeto do amor impermeável às sensações humanas, significa negar a própria possibilidade de ser amado pelas virtudes conquistadas, e sem dúvidas, entre elas, não está o dinheiro.
Diana volta ao mirante, onde no passado foi selado um amor distinto, impermeável ao tempo e blindado contra as paixões humanas. Nesse cenário, reencontra David com o olhar à deriva, buscando o passado... No entanto, o horizonte que se descortina a sua frente lhe impõe a realidade de um amor, que apesar de verdadeiro, é também suscetível aos vendavais inerentes a nossa condição de falíveis mortais. Sentado de costas para a amada, responde a uma pergunta de Diana e descobre que o sentimento de união entre eles não se rompeu: está vivo e venceu a dualidade humana, por uma única razão. Tratava-se de um amor sincero.
Pensemos nisso
Um forte abraço,
Até a próxima!
Parabéns novamente pela reflexão, Gean!!
ResponderExcluirNos faz pensar o quanto as pessoas valorizam os bens materias e deixam de lado os verdadeiros valores morais.
A corrupção moral é uma chaga que causa traumas profundos no indivíduo. As pessoas com valores éticos morais profundos, enraizados na sua essência, jamais se vende! O verdadeiro amor não se vende!!! ELE É O BEM MAIOR! A MAIOR VIRTUDE QUE TODO SER HUMANO BUSCA EM SI E NOS OUTROS!! A insegurança do ser em relação a vida e a si mesmo o adoece, fazendo com que abra mão de sua verdadeira natureza, quem realmente ele é, "UM SER EM EVOLUÇÃO MORAL, DIGNO DE CAMINHAR NO MUNDO". O despertar é lento mas pode ter um final feliz como no filme,infelizmente trazendo sofrimento a outras pessoas!! Não podemos ter tudo o que queremos da vida, mas poderemos prezervar nossa DIGNIDADE!!
Continue Gean, a escrever e nos fazer refletir sobre nossos verdadeiros valores e como estamos conduzindo nossa vida diária!Luz e Paz!
Vejo esse marido mais como um corno manso que teve oque mereceu , ao inves de trabalhar quis vender a mulher , e a tal mulher , vejo com uma prostituta que aceitou se vender ...
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