segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Involução Afetiva

     Nem sempre o dito “evolução dos costumes” trouxe benefício para as pessoas e tampouco contribuiu para seu o desenvolvimento moral. É o caso do namoro, que se transformou em casamento informal. Pouco, no entanto, aprendemos com a Mãe natureza que não dá saltos; mas insistimos em pular etapas, essenciais ao nosso amadurecimento emocional.
     O namoro, antes de tudo, é uma fase na qual exercitamos os nossos sentimentos. Aprendemos a dividir: o que era para um, agora é concedido a outro. Nessa fase nos tornamos menos egoístas e menos orgulhosos, colocamos nossas convicções cara a cara com a necessidade da sobrevivência emocional. E nos testes do cotidiano, onde não há mestre ou discípulo, mas, sim, eternos aprendizes, quando absorvemos e vivenciamos esses aprendizados, que se configuram antídoto contra as decepções que temos ao longo da vida.
     Devem-se distinguir, no entanto, as demandas que são naturais de um namoro daquelas que são próprias do casamento. Contrariando o bom senso e dispensando a razão, muitos namorados têm andado para trás nesse quesito. Fazem cobranças indevidas, querem que o outro assuma uma postura intrínseca ao casamento e o pior, nesse tipo de relacionamento, a troca de farpas é uma constante, como se fosse comum que o novo status desse direito a abdicar do respeito. Esse comportamento deixa evidente a opção do agressor, assim como do agredido, de valorizar a insuficiência, a dependência e o conseguir a qualquer custo, mostrando como é possível segurar uma relação presos exatamente ao que debilita o ser humano e impossibilita a sua evolução: a falta de autoestima.
     É importante salientar, contudo, que o namoro é um tipo de compromisso, mas não um matrimônio. Duas pessoas namoram por vários motivos: atração física, projeto de vida semelhante, afinidades de valores, interesse financeiro e, raro, por amor. Em verdade, hoje se associa a um consórcio de interesses, porém uma coisa é certa: se não houver estima, pode ruir a qualquer momento o que consideramos sólido.
     Vivemos relacionamentos instáveis por preferir construí-los na areia. Manipulamos os fatos ao sabor de nossas conveniências, dissimulamos a nossa insatisfação, falamos meias verdades para que o outro as decodifique; em vez de tomarmos as rédeas do nosso destino, o que poderíamos conseguir por meio de uma relação saudável, produtiva e sincera, a desejada estabilidade emocional e sentimental. Tudo isso reflete pontos de vista. Por consequência, a atitude mantida pelo ser humano em relação aos fatos de sua trajetória é a radiografia moral e ética que melhor o define. Pensemos nisso.

     Até a próxima!

4 comentários:

  1. Atualmente a promiscuidade está em todas as partes: na polítca, na enconomia e nas relações pessoais. Tanto o homem quanto a mulher deveriam preservar a diginidade própria e não colocá-la à deriva. Excelente texto! O senhor consegue passar para o papel aquilo que pensamos. Irei recomendar esse blog para meus amigos. Samuel, Rio de Janeiro- RJ

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  2. O senhor, no texto,coloca as coisas como só as mulheres tivessem a responsabilidade por essa situação, os homens também têm. Embora bem elaborado o texto é tendencioso. Vilma, São Paulo- SP

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  3. As relações afetivas sofreram ao passar dos tempos deformidades que só poderão ser reparadas com um choque de moralidade e de ética. Se as coisas contnuarem assim entraremos numa profunda crise moral. Helio, Manus-ÁM

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  4. "O amor liberta não aprisiona!" Não aprendemos a nos amar, como amar o outro? Amor de posse não é amor! É insegurança!
    Medo da rejeição! Infelizmente temos muito que aprender em relação a amar a si mesmo! Paixão dura em média três anos, depois passa! O que restará dessa relação? Excelente texto! Parabéns!!!!Abraço!! Lílian

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