quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Grandes homens e as mulheres amorais – Ensaio

“Hoje em dia, tá faltando homem no mercado: só tem gays; os interessantes são casados; e os que sobram, cafajestes, não querem nada de compromisso”. Assim as mulheres se referem à escassez do espécime masculino. Nesse mercado de livre iniciativa, estamos por saber se a demanda é mais valiosa do que as ofertas.
Sem dúvida, está cada vez mais difícil verem-se, transitando pelas ruas, homens esmerados, de bons modos. Não há mais cavalheiros como no passado, que mandavam flores, que abriam a porta do automóvel para a mulher e que a cortejavam antes de consumar o ato do desejo: tudo ficou para trás. Fiquemos no básico, pois homens de grande valor, com excelência comprovada, aqueles, leitor(a), aqueles que representam uma reserva ético-moral e fazem frente às bacias petrolíferas do Oriente Médio parecem ter findado juntamente com os dinossauros.
Porém, os mais teimosos do ponto de vista do raciocínio querem também saber notícias das mulheres fascinantes. Aquelas recatadas, que guardam o pudor não como ardil para fisgar o homem, mas pela consciência de saberem o seu valor como mulher. A nova versão da mulher-emancipada-contemporânea é um bem de consumo fácil de ser achado. Encontramo-la na internet, na televisão, nas revistas, nos jornais, nas ruas, expostas como carne na butique de frios com anúncio: 1,70m, 60 busto, 102 de quadril, boca enlouquecedora. Afinal, o que se quer dizer com “boca enlouquecedora”? Que peripécias essa boca faz?
Não se está aqui desaprovando nem aprovando comportamentos, apenas propondo o contraditório diante das exigências femininas. Dançar na boquinha da garrafa, querer receber tapinha, porque não dói, ralar a checa no chão, ser chamada de cachorra e dar a patinha refletem tão somente uma imagem considerada de si próprio. Fica assim demonstrada a falta de cerimônia de se expor. É uma questão de foro íntimo.
Mais do que as ações, a pessoa também se posiciona através de símbolo. Muito mais que a liberdade sexual, está posto um comportamento de degradação moral da mulher. No desejo de igualar-se em direitos com o homem, a mulher perdeu o objetivo a ser alcançado. Ou seja, ao optar pelo caminho perigoso da adequação ao padrão criticado, ela devaneia em acreditando ser a protagonista da história, quando não passa, como sempre, de instrumento de satisfação e municia quem deseja desmerecer ideais marcados pela decência.
            Betty Friedam revolucionou os modos e costumes da sociedade norte-americana, quando publicou o livro “A Mística Feminina”, em cujas páginas discorre, com todas as letras, sobre como as mulheres daquele país estavam com a individualidade reprimida. As gerações futuras criticaram-na por propor mudanças apenas de atitudes, e não de estruturas - tida por isso como uma conformista. Passados 48 anos da iniciativa da Betty e diante dos acontecimentos, constata-se que ela ainda está atual. Em matéria de conduta discutível as diatribes das mulheres contra os homens configuram-se um caso característico do roto que fala do esfarrapado. Pensemos nisso.

 Até quarta-feira

5 comentários:

  1. Realmente a moral da mulher se encontra em baixa... não querendo generalizar.. mas as mesmas em muitos casos se expõem de modo a serem vistas como alvos de caracteres nada agradáveis..lamentável tal posição de algumas mulheres que ao invés de se dignificar ajudam conscientemente a tornar mais vigente a propaganda do sensualismo.. acredito e confio que mesmo em longo prazo possamos presenciar a imagem da mulher de maneira positiva e que possa servir de exemplo moralizante.

    Josinan

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  2. Concordo com você quando diz que falta homem no mercado, os considerados “bons”, estão casados, mas não são tão bons assim, pois adoram pular a cerca, o muro e tudo que estiver a sua frente para satisfazer o seu desejo de homem. A esposa (coitada) fica achando que é a única, faz todas as vontades, o homem casado que tem relações extraconjugais é tão ou mais cafajeste que aquele solteiro que por natureza não podemos esperar muito dele. Quanto à mulher, esta vem se denegrindo há muito tempo, talvez até em função dos homens também não serem mais aqueles cavalheiros de outrora. A mulher para alcançar a tão sonhada independência para ter os mesmos direitos que os homens se esqueceu de todos os seus valores, antes muito admirados, não sabendo a mesma, que numa sociedade consideravelmente machista, certas aquisições comportamentais relacionadas entre ela e o sexo na atualidade, viria comprometê-la em seu conceito.
    É bem natural que o sexo tenha realmente tomado outros rumos com o passar dos anos, no entanto, isso não justifica a destruição dos valores femininos aos quais estamos presenciando neste século.
    A sensibilidade, hoje em dia é um atributo esquecido; O desejo, agora é algo irracional, desgovernado; já o amor permanece hoje em dia calado nos poucos corações exclusos.
    E com o final de um relacionamento, sempre nos sentimos derrotados e perdedores, trocados por alguém mais jovem então, nem se fala, muitas vezes damos valor muito além e sofremos ainda mais do que realmente é preciso, perdemos totalmente a esperança, o nosso amor próprio, os sonhos, as idealizações; muitas vezes pensamos que não iremos sobreviver e acho que não vamos, pois nada mais faz sentido.

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  3. Boa noite!
    Concordo com a leitora Guacira que foi muito feliz em seu comentário,colocando de forma clara e objetiva o seu pensamento.
    att,

    Solange

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  4. Parabéns pelo artigo que soube explanar o real contexto homem/mulher no mundo atual e tb parabenizo o comentário da Guacira que é quase um artigo.
    A vezes não conseguimos nos expressar como gostariamos, mas ambos foram felizes.

    Maria do Carmos Soares - Belo Horizonte

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  5. Boa tarde! Em 1º lugar gostaria de te dar os parabéns pelo artigo, achei interessante e atual e espero que oontinue a escrever outros tantos e também dizer que cheguei ao teu blog atraves de uma amiga que forneceu o link para vários contatos dela(Guaci) que por sinal não consigo falar com ela a dias. Confesso que tb fiquei feliz pelo comentário acima, q diz q a Guaci fez quase um artigo, pena que ela não quer saber de escrever.
    Tenha uma boa tarde.

    Carla Marins - Caxias do Sul - RS

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