quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Família: nicho da corrupção

         Assistimos sobressaltados – e não é de agora – a uma  série de denúncias de corrupção no trato da coisa pública. A falta de escrúpulos, no entanto, não grassa com desenvoltura apenas na esfera dos poderes constituídos, mas também em quase todo segmento da sociedade. Pedimos punição exemplar para os criminosos; não obstante, o afã de justiça, que antes era de toda a prova, se transforma, na a velocidade da luz, em trincheira intransponível na defesa do malfeito quando nosso filho ou parente ficam cara a cara com a ignomínia.

        O esmeril para o ofício da corrupção começa cedo. Os senhores pais subornam seu filho ainda criança, com a promessa de presente se ele fizer a refeição, em vez de explicar-lhe da necessidade de alimentar-se. Fazem propostas indecentes quando ele alcança a adolescência, de ganho fácil se for aprovado na prova final, quando deveriam ser uma reserva moral que trabalhassem no seu filho a conscientização da importância do estudo em sua vida como auxílio para se manter e entender o mundo ao seu redor. O tempo passa e o homem do futuro está formado.

        Esse homem que desde infância assimilou dos pais valores ignóbeis que contaminam a convivência saudável está devidamente preparado para ludibriar, aliciar e escapar das responsabilidades de suas ações. Assim vemos motorista que é parado nas ruas por policias devido o excesso de velocidade, para não ser multado tenta subornar os agentes da lei, muitos com os valores tão deformados quanto os do motorista, aceitam satisfeitos. Dessa forma a roda viva da corrupção se movimenta.

       Como a medida da satisfação humana é sempre mais, esse mesmo homem alcança o nível superior, forma-se em Direito, não para se tornar uma pessoa melhor, mas visa a se locupletar na vida, usando as brechas da lei explorando as fraquezas humanas. Especializa-se em tornar culpado em inocente e inocente em culpado. Não é à toa que criminosos de toda espécie são absolvidos; e inocentes, condenados nas Cortes de Justiça. Podendo pagar, não se hesita em defesa do mal.

       Talvez a nossa indignação não encontre respaldo no teste do cotidiano. Como estamos conduzindo a educação de nossos filhos? Será que estamos norteando-a com exemplos de valor moral? Será que estamos chamando a atenção do nosso filho quando ele comete pequeno gesto de desacato ao semelhante? Em geral, tomamos isso como “coisa de criança” – mas não é. A delinquência, senhores pais, inícia-se com pequenos gestos, que não devidamente combatidos, evoluem para a bandidagem. Para que não nos percamos na banalização da desonra, convém-nos passar em revista modos e costumes de nossas crianças que até então são considerados normais.

       Não pense, caro (a) leitor (a), que não existam famílias que forjaram caracteres em seus filhos de homens e de mulheres de bem, há e não são poucas. O que acontece: prestamos tantas homenagens à “lei do Gerson” e isso criou uma falsa percepção de que a boa educação já não existe mais. Exemplo mais atual, conhecido e emblemático que a hombridade está viva entre nós é da juíza Patrícia Acioli, morta por execução com 21 tiros na porta de casa. Defendeu e cumpriu a missão que se propôs até o último dia de vida. Outros homens e mulheres dignos que devolvem somas consideráveis de dinheiro achado, e outras grandes personalidades anônimas que conhecemos são guardiãs da moralidade e representam um bálsamo de esperança de dias melhores.

      Na antiguidade, Pitágoras (580a.C - 497a.C) vaticinou que seria imprescindível educar as crianças para que não viéssemos a punir os homens no futuro. A atualidade dessa colocação é desconcertante e, ao mesmo tempo, vergonhosa para todos nós que nos cremos civilizados. Diante dessa realidade, vale a pena os senhores pais fazerem uma profunda reflexão a respeito do seu papel na formação ética e moral dos seus filhos. Longe a pretensão de dizer o caminho que se deve seguir nem ditar formas infalíveis de educação, porém há a necessidade de discutir a questão, dialogar, escutar, para que a maternidade e a paternidade sejam exercidas na plenitude do amor. Mas, sobretudo, lastreado pela razão. Pensemos nisso.

Até quarta-feira.

4 comentários:

  1. Relações entre pais e filhos requer muito cuidado em analisar..digamos que se trata de contínuas dualidades que possuem raízes desde a antiga até a moderna sociedade.. a educação moral neste sentido deve ser responsabilidade de ambas as partes, concordo que os pais seriam tipos "guias" instrutivos, mas também creio que a construção da moralidade deve ser também responsabilidade de cada um individualmente, por isso o diálogo funciona como parâmetro fundamental... não adianta apenas receber bons principios de nossos pais se no mais íntimo não absovermos o que há de melhor..penso assim que a responsabilidade é mútua... cada um contribuindo da forma mais prudente possível.. vivemos momentos de grandes transformações de valores... portanto é compromisso de cada ser enquanto enquadrado num processo de crescimento espiritual ter plena ciência de seus deveres para consigo e com o próximo... assim quer sejam pais ou filhos possamos todos passar pelo crivo da razão sobre nossas ações perante á sociedade.. a educação moral por mais que se encontre deturpada é capaz de grandes realizações no campo moralizante.. aprendemos assim... na prática cotidiana... em casa, trabalho, escola.. enfim... nos melhorarmos enquanto sujeitos dotados de criticidade..

    Josinan.

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  2. No processo de educação da criança uma das tarefas mais complicadas é ensiná-la seus limites, pois ficam com dó. Esta missão exige bastante paciência e, principalmente, bom senso por parte dos responsáveis. Ela deve ser instruída desde cedo a respeitar a decisão dos pais e sobre o que é certo ou errado. Caso receba as instruções corretas e da forma correta a chance de êxito é muito maior.
    Conhecendo seus limites, os filhos têm um bom comportamento diante de seus colegas e de pessoas mais velhas. Isso acaba refletindo, até mesmo, no orçamento da família, que não precisa gastar dinheiro para satisfazer os mimos dos filhos. Entretanto, é necessário ensiná-los a distinguir o que queremos do que precisamos, e desde cedo eles devem aprender a importância de não desperdiçar dinheiro.
    Com o tempo você pode dar um pouco mais liberdade, porém dentro dos limites. Dar a liberdade de a criança escolher, mas na hora da decisão, são os pais que devem agir corretamente. O dialogo é a maior dica dos especialistas, fazer com que a criança compreenda a situação, por mais embaraçosa que seja.
    Guacira

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  3. Gean, como vc gosta de uma polêmica. Mas o que escreveu é a mais pura verdade,vai ter gente que não vai gostar. Marta

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  4. CADÊ VOCÊ?!...

    Carlos Gean, você emudeceu!
    É impressão ou somente foi postado
    Do silêncio o lacônico recado
    No setembrino mês, no blog seu?!

    A bola não mais rola no gramado?!...
    Sobre o onze de setembro o que escreveu?!...
    E esse futuro escuro como breu,
    Que empurram com a barriga ou põem de lado?!...

    Há tanto ainda para ser escrito!...
    Por que amordaçar a voz, o grito?!...
    Procrastinar para as calendas gregas!?...

    Você parou por quê? Você delira!?...
    Faz falta o comentário de Guacira...
    – Ó quarta-feira, por que nunca chegas?!...

    Juarez Suzarte

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